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abril 20, 2019

Este é um Sábado Santo e Silencioso

Liam Byrnes
Liam Byrnes
Esta entrada é parte [part not set] de 3 na série Série de Páscoa 2019

Série: Série de Páscoa 2019

  1. Este é o Domingo de Páscoa
  2. Este é um Sábado Santo e Silencioso
  3. Esta sexta-feira é Boa?

Ontem, hoje e amanhã, domingo de páscoa, estaremos postando uma adaptação do devocional produzido como projeto de conclusão do Mestrado em Formação Cristã e Discipulado do nosso Centro, que abre uma nova turma em fevereiro de 2020. Se você tem interesse em saber mais sobre o próximo curso, pode ler aqui e entrar em contato para mostrar seu interesse.

Eu era a multidão…

Se a Boa Sexta-feira foi o crescendo da jornada da Igreja pelo deserto na quaresma, o Sábado Santo1 é o último suspiro de silêncio, na linguagem musical, uma fermata.

A mesma multidão que se ajuntou ao redor de Jesus nas pregações, gritou Hosana na segunda-feira. Essa mesma multidão, inebriada pela oportunidade de comandar o braço romano através de seus gritos de “crucifiquem-no!”, cai em silêncio hoje

O Sábado silencioso1 nos lembra do propósito da solitude e do silêncio como uma prática cristã, a fim de desvelar os diálogos internos plásticos das nossas vidas e voltar para um terreno de realidade na presença de Deus..

No silêncio, voltamos ao que se passou. No silêncio, somos forçados a reconhecer nossos fracassos e nossas incapacidade de retornar. Percebemos que éramos nós que ingenuamente proclamávamos Hosana, e que fomos nós que, quando percebemos que Jesus não estava aqui para nos entregar um Reino imediatista, gritamos Crucifiquem-no. Somos Pilatos, confrontados pelas questões que não podemos responder, querendo provas que nunca teremos, tomando decisões que não são ideais, mas que são do jeito que são. O que é a verdade, afinal de contas?

Como aqueles com vidas internas apressadas, queremos encher o silêncio do Sábado Santo, assim como quando alguém morre repentinamente e as pessoas se unem em sua perplexidade. Recentemente, o meu avó faleceu subitamente. Em momentos assim, somos impulsivamente levados a tentar encontrar significado e sentido na morte. Mas mesmo as tentativas mais brandas de encontrar sentido na tragédia da morte, parecem irreverentes, inúteis e erradas. Todos os nossos esquemas elaborados de narrar nossas vidas são desvelados quando vivenciamos a morte e então somos, com razão, deixados em um silêncio vazio.

Em nossa pressa para afirmar que Deus fala hoje, podemos acabar por, inadvertidamente, insistir que Ele é um tipo de tagarela que na verdade nunca para de falar. Isso com certeza é resultado do que Voltaire descreveu quando disse: “Se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, o homem retribuiu muito bem a gentileza.” Mas o Sábado Santo insiste que Deus está em silêncio. Em silêncio em relação às nossas exigências de significado. Cristo realmente morreu, e para todos naquele primeiro sábado santo, tudo estava perdido.

Habitar esse sábado silencioso é na verdade estar em um espaço da história de Deus que pode nos ajudar a entrar na nossa própria realidade. O “agora e Ainda Não” que os Cristãos são treinados a viver, também é encontrado no sábado Silencioso. O Sábado é o tempo entre a morte e a ressurreição. Ainda que Cristo – como vamos celebrar amanhã – tenha iniciado a nova criação em sua ressurreição, nós continuamos a esperar em uma fé paciente pela ressurreição de todas as coisas (Romanos 8: 22-25).

Então, nesse Santo e silencioso Sábado, nos juntamos ao salmista no Salmo 13:

“Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto?

Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia? Até quando o meu inimigo triunfará sobre mim?

Olha para mim e responde, Senhor meu Deus. Ilumina os meus olhos, do contrário dormirei o sono da morte;

os meus inimigos dirão: “Eu o venci”, e os meus adversários festejarão o meu fracasso.”

O Sábado Santo é um período que nos treina na disciplina central do cristianismo, que é a espera. Nossas esperanças de fazer alguma coisa “acontecer” são desvendadas e somos deixados com a opção de confiar que o Deus silencioso está presente.

Ainda assim, mesmo na morte de Cristo, na inatividade e no silêncio, podemos ver um reestabelecimento do mandamento sabático e um eco do que Deus fez durante a criação: o descanso. Jesus observa um sábado derradeiro ao se deitar no túmulo. Esperamos e confiamos em silêncio enquanto o Rei dorme.

Como James Hanvey diz;

“O Sábado Santo é o tempo Dele.
É o tempo no qual aprendemos a confiar no sacrifício de amor, o qual a morte não pode subjugar nem compreender.
No Sábado Santo passamos a ver que é Ele que fez da morte o seu instrumento. Não para causar terror ou submissão, mas para nos trazer mais intimamente para o seu lado.
Na escuridão purificadora do santo sábado, descobrimos o Sábado da nossa espera.
Chegamos no final do nosso caminho e no início do Dele.
É apenas Cristo que pode nos levar ao domingo de Páscoa, e é assim em todos os sábados santos das nossas vidas.”

– Pause e reflita –

 

Você pode tirar algum tempo hoje para encontrar um pouco de silêncio e solitude?
Pelo que você espera na vida?
Gaste um tempo colocando essas coisas diante do Senhor, confiando Nele à medida que Ele fala, ou se conscientize da presença Dele, mesmo no silêncio.


  1. Para fins de compreensão da totalidade do texto, ao invés de denominar como “sábado de aleluia”, como comumente é titulada a data nos países de língua portuguesa, manteremos os termos utilizado pelo autor: “silencioso” e/ou “santo”. ↩
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